Trilha Jovem ampliará atuação com recursos do Criança Esperança

Os participantes do Projeto Trilha Jovem, desenvolvido pelo Instituto Polo Iguassu com apoio do Parque Tecnológico Itaipu (PTI) e da Itaipu Binacional, serão capacitados também para o setor do comércio. Atualmente, o foco é o setor turístico, mas com a notícia de que o projeto será beneficiado com quase R$300 mil do programa Criança Esperança, a atuação será ampliada.

 

Em abril deste ano, 120 jovens entre 16 e 24 anos que integram a 9ª turma do Trilha Jovem Iguaçu iniciaram a formação que vai prepará-los para o mercado de trabalho. Em junho, o Polo Iguassu recebeu uma carta da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), parceira da Rede Globo no Criança Esperança, informando que o projeto tinha sido aprovado. O recurso também será destinado a investimentos em estrutura física e contratação de pessoal.

 

“Além do recurso que receberemos, é um reconhecimento nacional importante porque confirma que estamos no caminho certo”, celebrou Fernanda Fedrigo, diretora-executiva do Instituto Polo Iguassu. A coordenadora do Trilha Jovem, Patrícia Menezes Dutra, conta que o aporte de R$289 mil servirá à contratação de educadores e de uma consultoria para ajudar a reformular o projeto. 

 

“Atualmente, capacitamos 120 jovens por ano para atuar no setor turístico. A intenção é termos 90 pessoas no turismo e outras 30 no comércio já em um piloto no ano que vem”, disse.  Segundo ela, depois de capacitados, muitos formados foram contratados pelo comércio. “Por isso, pretendemos trabalhar com formação específica para esta área”, completou.

 

O recurso do Criança Esperança também será empregado no custeio de despesas de transporte, na compra de computadores para o projeto, na criação de um laboratório de informática para os jovens e de um sistema de identificação biométrica nas salas de aula, na aquisição de uniformes e televisores portáteis para teleconferência, entre outros.

 

A jornalista Poliana Corrêa participou do Trilha Jovem em 2008. Para ela, o projeto é mais do que uma formação profissional, mas uma formação de pessoas. “A metodologia que mescla teoria e prática, proporcionou encarar o setor de turismo de forma mais humana, sustentável e multidisciplinar. Tudo isso sem perder a seriedade e o profissionalismo que o mercado de trabalho exige”, afirma.

 

Embora tenha seguido por outro rumo que não o turismo, a jornalista conta que o aprendizado e a vivência profissional proporcionados pelo Trilha foram cruciais para alcançar os objetivos e definir a carreira dela. “As atividades desenvolvidas ao longo do curso me ajudaram a lidar com o público e me comunicar de forma espontânea, características imprescindíveis para a profissão que escolhi exercer”.

 

Poliana revela que ficou bastante feliz ao saber que o projeto vai receber os recursos do Criança Esperança. “É algo que irá garantir que outros jovens tenham a mesma oportunidade que tive e o município tende a ganhar com os profissionais capacitados que irão entrar no mercado de trabalho”, comenta.

 


 

Entre os melhores do país

 

O Trilha Jovem concorreu com propostas de todo o País no último edital do Criança Esperança, aberto em 2016. Ao todo, foram selecionados 62 projetos de várias regiões do Brasil. A lista dos beneficiados na edição de 2018 ainda não foi divulgada.

 

No Criança Esperança, todo o repasse da campanha é recebido pela Unesco, responsável pela seleção dos projetos e distribuição dos recursos. São apoiadas propostas nas áreas de educação, inclusão, cidadania, cultura e juventude.

 

 

Para ser contemplado, os projetos precisam comprovar que estimulam a permanência dos jovens na escola, a atuação comunitária e a contribuição ao desenvolvimento local. Ações de empreendedorismo e protagonismo juvenil, como o Trilha Jovem, são bem-vindas. “Cumprimos todos os requisitos”, afirmou Fernanda.

 

 

Formação voltada para o desenvolvimento profissional e pessoal

 

Desde que iniciou as atividades em Foz do Iguaçu, em 2006, o Trilha Jovem já formou mil jovens, dos quais cerca de 50% foram inseridos no mercado de trabalho e empreendedorismo da cidade. O projeto tem como objetivo ampliar a inserção, a permanência e a ascensão profissional de jovens em situação de vulnerabilidade social e econômica.

 

A previsão é que a formação dos 120 jovens que participam da 9ª edição seja concluída em meados de setembro. O projeto tem carga horária de 580 horas, das quais 400 são de formação presencial, 100 de atividades autônomas e 80 de Vivência Profissional no mercado de trabalho. A coordenadora do Trilha Jovem, Patrícia Menezes Dutra, explica que as aulas presenciais são realizadas no PTI e envolvem oficinas gerais, como Inglês, Expressão em Diferentes Línguas, Apresentação Pessoal, Empregabilidade, Plano de Vida e Carreira; e específicas em três áreas de atuação: Hospedagem, Alimentos & Bebidas e Turismo & Atendimento.

 

“Também são feitas atividades como visitas técnicas em atrativos, hotéis e restaurantes; e executados projetos durante o período de formação, o que possibilita contato com o mercado de trabalho e, principalmente, com a comunidade”, diz Patrícia.

 

“O projeto visa dar condições de forma sustentável aos adolescentes e jovens para que tenham um pleno desenvolvimento de suas aptidões para a vida produtiva, favorecendo o preparo para o mercado de trabalho e a seu desenvolvimento pessoal”, afirma a coordenadora. Mas ela ressalta que o impacto da formação vai muito além da vida profissional dos jovens. “Não é apenas uma oportunidade de capacitação para o jovem ser inserido no mercado de trabalho. É também uma forma de desenvolver competências básicas e transversais capazes de transformar a realidade deles e prepará-los não só para o desenvolvimento profissional, mas para a vida”.

 

Em abril deste ano, 120 jovens entre 16 e 24 anos que integram a 9ª turma do Trilha Jovem Iguaçu iniciaram a formação que vai prepará-los para o mercado de trabalho.