PTI incentiva crescimento de cooperativas de agricultura familiar no Oeste do Paraná

Dezenas de associações e cooperativas de produtores rurais de baixa renda, em sua maioria formadas com base na agricultura familiar, já receberam o apoio do Parque Tecnológico Itaipu (PTI), que investe em projetos de inclusão social e produtiva para estruturação desses coletivos. Para 2018, já estão previstas uma série de ações nesse sentido e outras estão sendo analisadas. 

 

Essas iniciativas são desenvolvidas pelo Programa de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável do PTI, que conta com o apoio da Itaipu Binacional e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDS). 

 

Segundo o gerente do projeto de Inclusão Social e Produtiva do PTI, Paulo Cesar Amaral Junior, desde o início das ações já foram atendidas 30 associações e cooperativas de produtores rurais.  Atualmente, oito projetos estão em andamento, com previsão de serem executados no próximo ano. Entre eles, estão as reformas e adequações de mercados do produtor rural nos municípios de Toledo, pela cooperativa Comércio de Insumos Agropecuários (Cooatol), em Matelândia, pela Cooperativa de Produtores da Agricultura Familiar (Cooprafa), e em Medianeira, pela Associação dos Servidores Municipais de Medianeira (Assemed). 

 

“Desejamos finalizar bem os projetos que já estão em execução e colocar força para o início dos outros que estão em fase final de análise”, comentou Paulo Cesar. “Uma vez aprovados, iremos iniciar uma interação mais profunda com esses coletivos, ao adequar suas estruturas e buscar apoiar a viabilidade dos seus negócios, objetivando a geração de renda para essas famílias”, afirmou o gerente.

 

Competitividade ao mel do Oeste

 

Um dos projetos atualmente em desenvolvimento pelo Programa de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável é o da aquisição de equipamentos e melhoramento da gestão técnica de uma unidade de beneficiamento da Cooperativa Agrofamiliar Solidária dos Apicultores da Costa Oeste do Paraná (Coofamel), sediada no município de Santa Helena. A conclusão do projeto está prevista para março de 2018. 

 

Cooperativa recebeu o registro de Indicação Geográfica em 2017. Foto: Kiko Sierich.

Cooperativa recebeu o registro de Indicação Geográfica em 2017. Foto: Kiko Sierich.

O reflexo deste trabalho conjunto em 2017 foi a conquista alcançada pela Coofamel concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em julho. A cooperativa recebeu o registro de Indicação Geográfica (IG) do INPI, na espécie indicação de procedência (IP). O registro foi conferido aos produtores do estado do Paraná pelo mel de abelha dos tipos “Apis Melífera Escutelata (Apis Africanizada)” e “Tetragonisca Angustula (Jataí)”, com o nome geográfico “Oeste do Paraná”. 

 

Para o presidente da Coofamel, Wagner Gazziero, o processo de certificação, que teve início em 2014, permitiu um novo patamar de identificação da região em termos de produção de mel. “Com a Indicação Geográfica, isso irá dar aos nossos produtores uma nova oportunidade de renda, por valorizar o produto primário do mel”, ressaltou Wagner. 

 

“Embora a Indicação Geográfica ainda não seja muito difundida no Brasil, ela é muito reconhecida no exterior. E por estarmos em uma região extremamente turística, especialmente no mercado de Foz do Iguaçu, isso irá potencializar essa comercialização”, completou o presidente. “O projeto de Inclusão Produtiva e Social da Itaipu e do PTI fez com que a cooperativa desse um salto em produtividade e beneficiamento”, concluiu.

 

A certificação garantiu à Coofamel um grande fator competitivo, afirmou Paulo Cesar. “É um mel que será diferenciado no mercado por indicar, não só onde ele é produzido, mas todo um processo de rastreabilidade que irá garantir ao consumidor final um mel produzido com uma qualidade diferenciada. É um grande ganho para a cooperativa e, consequentemente, para seus cooperados também”, comentou. “Nossa meta, junto à Coofamel, é chegar a processar 150 toneladas de mel por ano, e estamos muito próximos de alcançar isso nesta safra junto ao término do projeto”, concluiu o gerente.

 

 

O Programa de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável

 

O Projeto de Inclusão Social e Produtiva do PTI é um dos quatro eixos do Programa de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável. A parceria, que é operacionalizada pelo PTI, também contempla o monitoramento, apoio técnico e custeio de metade do valor total dos planos de saneamento ambiental dos municípios da Associação dos Municípios do Oeste do Paraná (Amop); e a modernização da gestão pública, por meio de eventos, cursos e especializações acerca de técnicas de gerenciamento de projetos.