Projeto do PTI vai operar e projetar supercomputadores

A partir de agosto, previsão da equipe responsável pelo projeto, o Parque Tecnológico Itaipu (PTI) deve iniciar o trabalho de transferência de tecnologia e conhecimento em computação de alto desempenho da Índia para o Brasil. Parte da equipe integrante do projeto já está sendo qualificada e, no segundo semestre deste ano, deverá iniciar as atividades no Laboratório de Computação Avançada do Parque (LCA-PTI).

 

A intenção do projeto é formar uma equipe de profissionais capazes de operar e projetar supercomputadores, usando a expertise do Centro de Computação Avançada da Índia (C-DAC), que já é considerado uma referência internacional na oferta de serviços de alto desempenho. 

 


Parceria entre Brasil e Índia foi realizada durante reunião dos BRICS.

 

Parceria

 

Em abril, representantes do PTI estiveram na Índia para participar da reunião dos BRICS (grupo de países de economias emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Durante o evento, a parceria entre Brasil e Índia foi firmada, com a assinatura do memorando de entendimento oficializando a transferência da tecnologia de alto desempenho do C-DAC para o PTI. 

 

Segundo o diretor técnico do Parque, Claudio Osako, o documento torna real o interesse do PTI em desenvolver projeto conjunto com a Índia, podendo atender a Itaipu no domínio de tecnologias e contribuir com o desenvolvimento do território trinacional, tanto na operacionalização de supercomputadores como na expertise de projetar máquinas avançadas. 

 

“Com recursos na ordem de R$ 15 milhões, oriundos de um convênio do PTI e da Itaipu, o PTI poderá trabalhar no projeto durante três anos, período previsto para as fases da transferência do conhecimento de computação avançada do C-DAC Índia para o Brasil. Iremos capacitar uma equipe do PTI formada por analistas de sistema, engenheiros de computação e engenheiros eletrônicos que irão absorver o conhecimento dos indianos para construção de um supercomputador e, a partir de então, nossa intenção será atender às demandas operacionais da Itaipu que exigem grande processamento, e atender o mercado brasileiro com a oferta de serviços de computação avançada.

O C-DAC está, há 28 anos, pesquisando computação de alto desempenho e terá muito a nos ensinar, na parte de software e de hardware”, pontuou Osako.

 

Laboratório

 

Miguel Matrakas, gestor do Centro Latino-Americano de Tecnologias Abertas do PTI (Celtab), um dos responsáveis pelo projeto dos supercomputadores do Parque, adiantou que o laboratório terá caráter didático e que a previsão, durante o período da transferência de conhecimento, é trabalhar com computadores similares aos de grande porte, tendo mais capacidade, melhor desempenho, mais memória e processamento avançado.

 

“Estamos na fase de aquisição dos equipamentos para, então, receber a solução de software da Índia e treinar toda a equipe selecionada para o projeto.Queremos formar uma boa equipe e, após três anos, trabalhar com a aplicação do conhecimento, solucionando problemas já identificados na Itaipu e no PTI. Ainda, como parte do ousado projeto, oferecer capital humano e serviços de alto desempenho para toda a região”, destaca Matrakas. 

 

 

A tecnologia de alto desempenho garante qualidade aliada à eficiência, pois um supercomputador é capaz de solucionar um problema de simulação, envolvendo barragens em usinas hidrelétricas, em tempo recorde, de acordo com o gestor do Celtab. 

 

“Temos iniciativas no Brasil e existem muitas Universidades trabalhando com isso, mas são poucos os lugares onde têm, efetivamente, um grupo com o suporte para desenvolver a solução. Aqui no PTI, com essa parceria da Índia, por meio do C-DAC, temos um projeto que é bastante ambicioso, porém, as condições são favoráveis. O PTI passa a ser uma referência em gerar o conhecimento de computação de alto desempenho e o responsável pela formação do capital humano nesta área. Estamos abrindo um campo novo de atuação na nossa região”, define Miguel Matrakas. 

 

“Esse é o caminho, com esta parceria entre o PTI e a Índia conseguimos dar saltos de conhecimento que não imaginávamos e, o mais importante, é que a relação de confiança que construímos com os indianos não será de apenas três anos. A ideia é poder avançar com o C-DAC na América Latina, em venda e oferta de serviços de supercomputadores, o que representa ganho de mercado para o nosso território trinacional. Teremos formação de massa crítica e possibilidade de geração de empresas no setor, de startups, emprego e renda”, destacou o diretor técnico do PTI que ressalta: “seremos um dos poucos núcleos do Brasil trabalhando com o desenvolvimento deste tipo de tecnologia”.