Projeto do PTI forma jovens em programação e encaminha para o mercado de trabalho

Para atender tanto o interesse dos próprios jovens como do mercado de trabalho, o Parque Tecnológico Itaipu (PTI) preparou uma formação em programação que será executada por meio do projeto Trilha Jovem Iguassu. Neste primeiro ano de execução, serão ofertadas 35 vagas, para as quais a procura foi alta – uma média de cinco candidatos por vaga. O projeto Novos Rumos 4.0 vai não apenas preparar esses jovens para o trabalho, como dar orientações em questões comportamentais e construção de um plano de vida e carreira. 

 

Uma equipe do PTI foi responsável pela elaboração de toda a metodologia do Novos Rumos, como os planos de aula, avaliações e as diretrizes da formação. Em março e abril, serão feitas as seleções dos jovens entre 16 e 24 anos que irão compor a primeira turma, que deve iniciar as atividades no final de abril.

 

O projeto será executado pelo Polo Iguassu, por meio do Trilha Jovem, que oferece também capacitações em turismo e atendimento, hospedagem e comércio. De acordo com Silvana Gomes, técnica do PTI,  a instituição foi escolhida por possuir uma expertise com a execução de ações com os jovens de preparação para o mercado de mercado. No entanto, o PTI continuará presente durante todo o desenrolar da formação, explica ela. Isso porque, além de um acompanhamento passo a passo dos processos, a parte técnica da capacitação será aplicada por educadores do Parque.

 

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Palestra de esclarecimento para interessados a participar do Trilha Jovem. 

 

Os interessados em participar das três formações ofertadas pelo Trilha Jovem fizeram um pré-cadastro, encerrado no dia 3 de março, quando foi realizada uma palestra de esclarecimento com esses jovens. Nessa fase, foram mais de 780 interessados.

 

A partir de então, será feita uma seleção, que será publicada no dia 12 de março. Os aprovados passam para uma terceira fase, que consiste em uma entrevista individual. Só então são escolhidos os jovens que vão compor a 10ª edição do programa, entre os quais os da turma de programação.

 

Como é a formação?

 

O curso é dividido em três módulos, em um total de 580 horas presenciais. Além dos temas técnicos, com foco na linguagem Python, os alunos também terão aulas de inglês, empreendedorismo e gerenciamento de projetos. No terceiro módulo, os jovens terão orientações para planejar o futuro, com disciplinas como Plano de Vida e Carreira e Redes Sociais. A intenção, conta Silvana, é que ao final da formação eles construam um projeto.

O analista de sistemas do PTI, Jônios Costa Máximo, que também faz parte do Novos Rumos, afirma que a ementa do curso foi construída com base no público-alvo – jovens que não tem contato profissional com a informática. “Nos baseamos em uma grade de um curso superior em Ciências da Computação. Demos uma enxugada nos escopos, porque não podíamos ser tão abrangentes como em uma formação, mas trouxemos os elementos principais das áreas em que podemos atuar”, diz.

 

 

A linguagem Python foi escolhida, conforme Jônios, por ser uma linguagem fácil de aprender e por já vir instalada nos sistemas operacionais abertos, utilizados pelo PTI. Além disso, complementa ele, existe uma grande demanda por profissionais que dominam essa linguagem na área de ciência de dados, que tem crescido bastante.

 

A proposta do projeto não é de educação formal, destaca o analista de sistemas, mas promover o encantamento dos jovens. “Isso para que eles entendam o que é um programador e o que a carreira de programador pode proporcionar para a vida deles. A partir daí, podem fazer um curso superior, com uma expectativa melhor alinhada com essa formação, ou buscar o autodidatismo e conhecer outras linguagens”. 

 

A capacitação vai oportunizar aos jovens ainda o contato com o mercado de trabalho. Segundo Silvana, empresários da área de tecnologia de Foz do Iguaçu e região já foram contatados e demonstraram interesse em dar espaço para esses alunos. A técnica do PTI Karina Zavilenski Custódio comenta que a ementa da formação foi apresentada a esses empresários, a fim de que eles avaliassem e dessem contribuições. 

 

 

Jônios pontua que existe uma grande demanda de profissionais na área de programação, que tende a  ser ainda maior nos próximos anos. De acordo com ele, em 10 anos estima-se que haja um déficit de um milhão de profissionais na área. Além disso, diz Jônios, existe uma grande evasão de profissionais na região, que migram para grandes centros urbanos onde o salário é três, quatro vezes maior. Por isso, a formação se mostra atrativa tanto para os jovens, que podem vislumbrar essa oportunidade de crescimento, como para os empresários. 

 

Tecnologia social

 

O Novos Rumos faz parte de um convênio entre o PTI e a Fundação Banco do Brasil, que tem como objetivo o desenvolvimento de tecnologias sociais educacionais, voltadas a soluções de problemas sociais. Karina explica que, ao final deste primeiro ano de formação, o projeto pode receber a certificação de tecnologia social pela Fundação BB, o que significa que a iniciativa pode ser reaplicada em outras localidades.