Plantio direto: a tecnologia que revolucionou a agricultura brasileira

Com R$ 30 bilhões de investimentos federais previstos para o Plano Safra da Agricultura Familiar 2016/2017, a economia brasileira tem se firmado nos sucessivos recordes de produção de grãos. Graças ao Sistema de Plantio Direto (SPD), técnica importada dos Estados Unidos, nos anos 70, os produtores nacionais têm expandido cada vez mais as áreas de cultivo, garantindo o aumento produtivo aliado à preservação ambiental.

 

Segundo dados do Instituto de Pesquisa sobre Políticas Alimentares Internacionais (IFPRI, em inglês), o Brasil possui cerca de 30 milhões de hectares utilizando a técnica (pouco menos de 50% de toda a área plantada no território), garantindo ao País a segunda colocação mundial. O destaque fica por conta do Paraná, estado pioneiro no uso do sistema, com mais de 90% da área de plantio das culturas de verão em SPD.

 

Se até 1972 os produtores paranaenses perdiam mais de 20 toneladas de solo por hectare todos os anos por causa das erosões, atualmente, eles contam com diversas tecnologias de apoio para o uso e disseminação do SPD.

 

É o caso da Plataforma Web – Sistema Plantio Direto, ferramenta online desenvolvida pelo Centro Internacional de Hidroinformática (CIH), na qual é possível calcular o Índice de Qualidade do Plantio (IQP) de cada propriedade rural registrada, com base em um cadastro e parâmetros de qualidade de manejo do solo. Além de permitir a visualização geográfica das informações em um mapa interativo.

 

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Foto de autoria de Franke Dijkstra, pioneiro do uso do plantio direto no Paraná, demonstra uso do SPD

O sistema é resultado de uma parceria entre a Itaipu Binacional, a Federação Brasileira de Plantio Direto e Irrigação (FEBRAPDP) e a Fundação Parque Tecnológico Itaipu (FPTI) que, desde 2007, vêm desenvolvendo uma metodologia participativa denominada Índice de Qualidade Participativo do Sistema Plantio Direto (IQP), com o objetivo de qualificar o Sistema Plantio Direto e aplicação do método em 8 microbacias, em 226 propriedades da Bacia Hidrográfica do Paraná 3 (BP3).

 

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De acordo com o 1º secretário da Federação Brasileira de Plantio Direto e Irrigação (FEBRAPDP), Ricardo Ralish, o objetivo é utilizar a ferramenta como mecanismo de difusão das técnicas do sistema “queremos que a plataforma seja amplamente utilizada pelos agricultores, assistentes técnicos, empresas, cooperativas, entre outros”, explicou. 

 

Os produtores rurais podem contar ainda com a cartilha do Programa de Estímulo à Qualidade do sistema de Plantio direto na Palha, na Bacia Hidrográfica do Paraná 3 (BP3) e a publicação “Plantio direto: a tecnologia que revolucionou a agricultura brasileira”, ambas disponíveis gratuitamente para consulta. 

 

Em 2015, a FEBRAPDP iniciou um novo convênio com a FPTI e a Itaipu (que também tem como parceiros a Embrapa, Iapar, Emater, Universidade de Londrina e Instituto Rio Grandense do Arroz), para lançar uma versão atualizada e revista do sistema de certificação da qualidade do plantio direto. As 226 propriedades-piloto também estão passando por um processo de reavaliação para saber como o plantio direto evoluiu em cada uma delas nos dois últimos anos.

 

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