Mulheres na Ciência: déficit revela que a equidade ainda deve ser buscada

Em 1965, Alice Rossi publicou um artigo na revista Science com o tema “Mulheres na ciência: por que tão poucas?”. Ela apresenta como fatores determinantes o casamento e a maternidade como prioridade, a influência dos pais na escolha da carreira de seus filhos e incompatibilidades entre homens e mulheres. Cinquenta e um anos depois, a carreira ainda não está entre a primeira opção do público feminino.

 

O déficit de mulheres nos ramos das engenharias pode ser observado nos dados divulgados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). São mais de 56 mil currículos femininos de doutoras cadastrados, e apenas 4,87% são da área de engenharia, por exemplo. Ciências exatas conta com 9% enquanto que as ciências humanas tem 19% do total. 

 

A Fundação Parque Tecnológico Itaipu (PTI) promove ações que tentam mudar este quadro. A equidade na contratação de profissionais já é uma realidade. De 419 funcionários, 204 são mulheres. Em cargos gerenciais, são 15 mulheres e 20 homens. Mas, o que chama a atenção é a quantidade de mulheres em cargos ligados à engenharia, exatas e ciência da computação, apenas dez mulheres ocupam essas posições.

 

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“No mercado de trabalho, a mulher é muito forte nas áreas de recursos humanos e educação. Porém, temos áreas como financeira e tecnológicas com poucas mulheres. Se nós queremos buscar uma equidade de gênero, nós temos que trazer as mulheres para essas áreas.Isso não é fácil porque boa parte das mulheres opta pelas ciências humanas”, pontua a diretora financeira executiva da Itaipu Binacional, Margaret Groff, uma entusiasta da causa.

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Isso pode mudado já na infância. Uma das vertentes de atuação da Fundação PTI é a disseminação das ciências. Para isso, conta com o Polo Astronômico Casimiro Montenegro Filho e com a Estação Ciências. São as crianças que compõem o principal público desses locais. Na Ficiencias, evento promovido pela Estação Ciências as meninas têm ampla participação com apresentação de pesquisas e sempre estão entre os melhores. Confira detalhes do evento.

 

“No processo de inovação, as mulheres precisam participar das carreiras tecnológicas, junto com os homens. Esse é um aspecto em que temos que avançar. Se a forma de pensar da mulher é diferente da forma de pensar do homem, juntos, eles se complementam e podem fazer melhor”, disse Margaret. Leia entrevista completa com Margaret Groff.

 

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