Jovens, meninas e cientistas: como o estímulo pode influenciar futuras escolhas

Dados da pesquisa “As mulheres na ciência: o interesse das estudantes brasileiras pela carreira científica” mostram que na escola, os professores observam que meninos e meninas até os 12 anos de idade têm aptidões semelhantes para os cálculos. No caso das meninas, essas aptidões tendem a diminuir com o passar dos anos (fato confirmado pelas notas na disciplina).

 

As causas desse fenômeno ainda não foram comprovadas e podem ter associação a fatores de cunho social, entretanto esse estereótipo parece afetar as meninas, desestimulando-as a seguir as áreas de ciências exatas. Na Fundação PTI, as jovens garotas percebem como as ciências fazem parte do cotidiano e que não têm relação com o sexo de quem opta pelo ramo e, sim, com o desejo de propor uma solução inovadora.

 

Na Ficiencias, evento promovido pela Estação Ciências, jovens do Brasil, Paraguai e Argentina apresentam ideias que podem transformar a realidade das pessoas. O público é bem diversificado e as meninas estão entre os jovens pesquisadores.

 

“Considero a Ficiencias um evento de extrema importância, pois incentiva os alunos a entrarem para o mundo das ciências. Desenvolver projetos para apresentar no evento, além de motivador, despertou em mim o interesse pela pesquisa científica e ajudou-me a decidir qual carreira profissional eu queria seguir”, disse Maria Caroline Cordeiro, que participou de 3 edições da Ficiencias e, inclusive, foi premiada com o projeto “Produção de álcool etanol a partir da uva japonesa.

 

Durante o evento, Maria Caroline também conheceu a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila). Em 2015, mudou de Cascavel para Foz do Iguaçu para cursar Ciências da Natureza. “Hoje, sou aluna da Unila e posso dizer que fiz essa escolha por ver como a pesquisa científica é incentivada no PTI”, contou. Outra menina que participou da Ficiencias foi Sayuri Tais Miyamoto. Ela foi vencedora da edição de 2014 e participou do quadro Jovens Inventores do programa Luciano Huck, apresentando o projeto da bandeja biodegradável.

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Na Ficiencias, jovens pesquisadoras apresentam ideias inovadoras

 

Iniciativas que visam mostrar às jovens que o ramo da pesquisa e das ciências também é composto pelo público feminino são cada vez mais frequentes. A Organização das Nações Unidas (ONU) promove diversas ações. Além do Prêmio WEP's Brasil, que incentiva empresas a promoverem a equidade de gênero, a ONU promove o prêmio “Mulheres na ciência têm poder de mudar o mundo”  para incentivar a entrada de mulheres no universo científico. Desde 2001, seis brasileiras já conquistaram o prêmio internacional de reconhecimento por pesquisas realizadas.