Inteligência Artificial é desenvolvida em projetos do PTI

Um sistema de registro de atas, que faz o reconhecimento da fala dos interlocutores, e um software que diferencia e classifica componentes maliciosos na rede são dois projetos de Inteligência Artificial (IA) que estão sendo desenvolvidos pelo Parque Tecnológico Itaipu (PTI). A área atrai muitos interessados, tanto pela curiosidade despertada em filmes e séries de ficção científica, como por conta das inúmeras aplicações possíveis.  

 

A IA está relacionada à capacidade das máquinas de pensarem como seres humanos, interpretando dados que são alimentados a elas para fornecerem respostas imediatas. Para isso, se faz necessária a coleta, armazenamento e replicação de dados pela plataforma de Internet das Coisas (IoT). Esses processos já levaram às criações do Laboratório de Internet das Coisas e o sistema “Smart PTI” pelo Centro Latino-Americano de Tecnologias Abertas (Celtab), visando a integração de projetos e áreas funcionais do Parque para a otimização de atividades. 

 

A ideia do Celtab, segundo seu gestor, Miguel Diogenes Matrakas, é tornar o centro um concentrador de formação de pessoas, reunindo trabalhos de diversas áreas, dentre as quais destaca-se a aplicação de IA. O Celtab atualmente desenvolve ações em diversos segmentos, em parceria com instituições de ensino como a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), que tem programas de mestrados executados no PTI. 

 

Uma das pesquisas, apontou Matrakas, trabalha com o conceito de IA em reconhecimento de fala, usando a plataforma “Speech to Text”, que significa “da fala ao texto”. A proposta envolve a estruturação de um banco de dados em português para a plataforma, que será utilizada no registro de atas. O sistema também é capaz de realizar o reconhecimento dos interlocutores, diferenciando-os na transcrição. A pesquisa está sendo desenvolvida na UTFPR, campus Medianeira.

 

Segundo o gestor, a principal vantagem trazida pela IA está em sua capacidade de viabilizar processos de tomada de decisões. “Hoje o volume de informações é muito grande para que gestores, empresários e a sociedade em geral os compreendam e norteiem suas ações em um tempo hábil”, comentou Matrakas. “Por isso, necessitamos de um auxílio computacional para a análise desses dados, que nos permitam tomar decisões mais acertadas como, por exemplo, o direcionamento do foco de uma empresa, nichos de atuação, e otimização da vida pessoal dos cidadãos, na escolha de produtos ou escolha de estilos”, completou o gestor.

 

 

Matrakas destaca ainda maneiras nas quais a IA já está presente no cotidiano. “Os níveis de aplicação desses algoritmos são muito amplos. Exemplos disso são sistemas de controle de produção industrial que monitoram automaticamente níveis de insumos, entre outros fatores nas mais diversas situações, como no contexto de geração de energia de uma usina hidrelétrica como a Itaipu Binacional”, comentou o gestor. “Outros algorítimos podem detectar ameaças em tráfego de rede dentro de uma mesma empresa ou entre mais instituições, identificando se os padrões de comunicação estão sendo alterados por um software malicioso”, afirmou.

 

A identificação de softwares maliciosos é tema do mestrado do analista de sistemas, Kenner Alan Kleimann, pela UFPR. Por meio do uso de IA, na forma de processamento de imagens, a pesquisa de Kleimann aponta um processo que pode ser imperceptível para o homem, capaz de diferenciar e classificar componentes maliciosos existentes na rede. “Inteligência Artificial é o futuro. Ela consegue fazer coisas que vão muito além da nossa capacidade, como relacionar e gerar informações que, se treinadas o bastante, podem evoluir e chegar a resultados que nem pensávamos que existiam”, avaliou Kleimann. “Tentar usar isso para gerar novas tecnologias é importante tanto para o futuro da computação, quanto para usos acadêmicos, pois isso pode ser usado em qualquer área”, concluiu.

 

Transformação digital

 

Segundo o analista de sistemas, Jônios Costa Máximo, a IA está cada vez mais inserida na transformação digital das empresas. “É uma tendência mundial para maximizar a produção e apoiar a tomada de decisão dentro das empresas. Temos direcionado essa busca, nesta área de atuação, para conseguir colocar nosso território na mesma vanguarda em que se encontram os demais territórios do mundo”, comentou o analista. “Hoje nós temos empresas como a Microsoft e o Google que já trabalham com sua própria IA, e acreditamos que podemos começar a desenvolver nossas iniciativas aqui, fazendo uso dos conhecimentos que as corporações têm, e agregar valor às atividades que já fazemos no território”, completou.

 

A IA também está ligada aos modelos de negócios vislumbrados pelo Centro, conforme pontuou o analista. “A plataforma irá possibilitar desde incentivo ao empreendedorismo - acadêmicos que possam desenvolver aplicativos baseados em algum sensor que o Parque ou a Itaipu possam dispor – como também para a cidade, com cunho social – seja a área do turismo, acessibilidade ou mobilidade urbana. Vários conceitos de Smart Cities (Cidades Inteligentes) poderão ser explorados pela plataforma”, afirmou. 

 

O analista ressaltou ainda os benefícios adicionais das plataformas inteligentes nas empresas. “Não há um modelo de negócios que não faça uso de tecnologia da informação (TI). Entendemos que, para o nosso território, estamos entregando a formação de massa crítica, com conhecimento técnico para atuar não somente nas ações de interesse do Parque, mas do interesse também de outras empresas e cadeias produtivas”, apontou Jônios. “Com isso, é possível gerarmos renda, trazer uma modernização da grade dos cursos de computação, e fazer com que essa busca por conhecimento impulsione também as formações das pessoas no nosso território”, concluiu.