Guarda Mirim e Parque Tecnológico Itaipu (PTI): uma parceria que deu certo

Podia ser uma relação com prazo para acabar, mas não é o que tem acontecido entre os aprendizes e o Parque Tecnológico Itaipu (PTI), através do Programa de Aprendizagem da Guarda Mirim. Desde 2010, passaram 75 aprendizes pelo quadro de funcional da Fundação PTI, responsável pela administração do Parque, dos quais 16 foram efetivados e 14 permanecem como colaboradores da instituição.

 

Para muitos desses jovens, a entrada na Guarda Mirim e o encaminhamento ao PTI representam o primeiro contato com o mercado de trabalho. Atualmente, o Parque conta com 14 aprendizes (mesmo número dos efetivados), distribuídos em diversas áreas e programas. Eles desempenham atividades de rotinas administrativas, como organização de arquivos, controle de entrega de documentos, coleta de assinaturas, cadastros, entre outros.

 

O aprendiz não é visto como uma cota obrigatória, eles têm um papel fundamental dentro do Parque, ressaltam as psicólogas do PTI, Camila Sueli Trevisan e Vanessa Lukianou. Elas explicam que são frequentes os casos de aprendizes que constroem uma trajetória no PTI. Segundo as psicólogas, alguns deles se tornam estagiários e a maioria é contratada como empregado, pois conhecem o ambiente de trabalho do Parque e estão preparados para assumir as oportunidades.

 

 

Quem está em meio a essa trajetória, por exemplo, é o ex-aprendiz Charles Philippus, 18 anos. Efetivado pela PTI para atuar na Contabilidade e Patrimônio, há um mês foi transferido para o Laboratório de Baterias de Sódio. Ele conta que desde os 12 anos trabalhava na metalúrgica do tio, mas queria uma nova oportunidade no mercado de trabalho. Por isso, fez a inscrição para a Guarda Mirim. Aos 16 anos, foi chamado para participar do programa. “Eu ficava limitado ao meu círculo familiar e queria conhecer mais coisas fora”, diz.

 

Embora já tivesse experiência a partir das atividades na metalúrgica, Charles considera que o curso da Guarda Mirim fornece a base para a rotina do mercado de trabalho. Ele considera que a atuação na área de Contabilidade foi um presente. “Aprendi coisas muitas válidas, tanto para a minha vida profissional, quanto pessoal”. Mesmo sem saber se seria ou não efetivado, ele diz que fazia sempre o melhor que podia pelo trabalho. “Sempre procurava dar o melhor de mim todos os dias. Não tanto para mostrar para outras pessoas, mas para que eu me superasse todos os dias”.

 

Charles hoje cursa Engenharia Elétrica na Unioeste. O curso era um sonho desde criança, mas que ele por pouco não desistiu. “Minhas esperanças eram mínimas de passar em uma faculdade pública”. Ele já tinha pensado em um plano B, mas conviver com estudantes das universidades instaladas no Parque e conhecer projetos como o Laboratório de Automação e Simulação de Sistemas Elétricos (Lasse) e o Projeto de Baterias de Sódio, reforçaram o seu sonho. E o esforço nos estudos e no trabalho compensaram, com a aprovação no vestibular e a efetivação no PTI.

 

Amanda Schneider, 20 anos, também entrou no PTI, em janeiro de 2014, como aprendiz. Em outubro de 2015 foi efetivada. Em abril deste ano, subiu mais um degrau: foi promovida a assistente na área de Segurança Empresarial. “Me sinto reconhecida, é muito bom”, comenta. Foi ela quem decidiu por conta própria entrar na Guarda Mirim. “Não é só aquela rotina de ir para o colégio e depois casa. Você vai para um lugar, tem outro curso, conhece outras pessoas, trabalha”, descreve Amanda.

 

Para ela, que cursa Pedagogia, a oportunidade dada pela Guarda Mirim é uma “sementinha”, que o desenvolvimento depende de como cada pessoa vai cultivá-la. Ela considera que as orientações, tanto para a vida profissional, quanto para o lado pessoal, recebidas no curso foram fundamentais. Tanto é que, mesmo quando já estava efetivada no PTI, optou por concluir o curso da Guarda e receber toda a certificação.

Antes de entrar para a Guarda Mirim, em julho de 2015, quando tinha 16 anos, Bruna Letícia de Andrade nunca tinha pensado em trabalhar com turismo. E acabou sendo a primeira aprendiz do Complexo Turístico Itaipu (CTI) - área do PTI responsável pela administração dos atrativos da Usina Hidrelétrica de Itaipu. Bruna diz que gostou tanto que não queria mais ir embora. “Eu gostava muito, atendia todas as áreas e eu queria ficar. Eu sabia que ia acabar meu contrato e queria trabalhar ali”, conta. A vontade e a persistência deram certo: em janeiro do ano passado ela foi efetivada.

 

Bruna afirma que o conhecimento adquirido com a Guarda Mirim fez a diferença no dia a dia do trabalho. “Tinha muito curso, sobre leis trabalhistas, bons modos, como conversar, até orientada a dar 'bom dia' para todo mundo. Muitas coisinhas assim. Você vai acumulando, vai guardando, e quando chega em uma situação no trabalho lembra o que aprendeu”. Hoje ela já repassa o que aprendeu para os colegas. “Tem um aprendiz da área de Transporte que está no CTI e eu quero ajudar, quero dar dicas para ele”, relata. Ela resume a experiência no programa de aprendizagem como uma “evolução” pessoal.

São comuns os casos de menores aprendizes que constroem uma trajetória no PTI. Na foto, 14 colaboradores que passaram pelo programa da Guarda Mirim.

 

 

Curiosidade e disposição garantem ótimo desempenho dos aprendizes

 

As psicólogas do PTI comentam que, de forma geral, o desempenho dos aprendizes tem sido muito satisfatório. “Eles iniciam sem experiência, conhecendo apenas a relação família-escola e nós apresentamos um novo universo, que é o mundo do trabalho. Eles vêm com pouco conhecimento, porém muito entusiasmo e curiosidade, que transformam-se em disposição para o bom desempenho de suas atividades”, destaca Vanessa. Quando há oportunidade de contratação de aprendizes, o PTI comunica à Guarda Mirim. Os jovens são encaminhados e realizam uma entrevista de trabalho, o que já representa uma experiência semelhante ao que poderão vivenciar no futuro, na vida profissional. Após esta etapa, os selecionados passam a compor o quadro de aprendizes do Parque. As psicólogas ressaltam ainda que há uma grande troca de conhecimento entre a instituição e os aprendizes, que é importante para ambos. “Sem dúvidas o desenvolvimento do jovem trará sua permanência no mercado de trabalho, o que proporciona muita satisfação para o PTI em contribuir nesta etapa tão fundamental na vida destes futuros profissionais”, destaca Camila.