Evento preparatório para o Fórum Mundial da Água foi realizado no PTI

Em março de 2018, o Brasil irá sediar o Fórum Mundial da Água. O evento é considerado o mais importante do setor no planeta por sua abrangência política, técnica e institucional, sediado a cada três anos em uma localidade diferente do planeta. Em Brasília (DF), mais de 30 mil pessoas devem participar das atividades. Antes disso, vários eventos preparatórios estão sendo promovidos por todo o País.

 

O Parque Tecnológico Itaipu (PTI), em Foz do Iguaçu (PR), sediou em setembro o Fórum Cidadão da Região Sul com o título “Gestão Participativa e Social da Água – A Sociedade compartilhando tecnologias locais”. No encontro - organizado pela Itaipu Binacional e pela Rede Brasil de Organismos de Bacias Hidrográficas (Rebob), com apoio da Agência Nacional de Águas (ANA) – o público acompanhou a apresentação de experiências regionais bem-sucedidas de gestão de recursos hídricos com a participação social.

 

Durante a solenidade de abertura, o governador do Conselho Mundial da Água e presidente da Rebob, Lupércio Ziroldo Antônio, destacou a importância da participação popular nas discussões: “Hoje a água deve ser discutida por toda a sociedade. Gestão de águas não se faz sem envolver todos os atores nesse processo. O Brasil apresentou essa proposta porque estamos num momento ímpar em que precisamos integrar as ações dos países da América Latina. Todos os nossos rios, de alguma maneira, circulam pelos países. Precisamos unir forças, metas e objetivos para termos uma boa gestão para o nosso futuro.”

 

 

Esta integração foi reforçada pelo diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu Guillo. Ele disse que espera que o Fórum promovido no Brasil seja um grande marco para colocar o tema em maior evidência no continente. “Embora seja realizado no Brasil, temos uma expectativa de que ele seja um evento especial de integração do continente sul-americano. Nós temos muitas experiências positivas, mas acreditamos que podemos avançar ainda mais em relação à integração. Que o Fórum Mundial da Água seja um marco para a criação e consolidação de conferências continentais a respeito da água.”

 

Experiências de sucesso

 

Quarenta milhões de brasileiros ainda não possuem acesso à água potável. No mundo, segundo a Unicef, são 2,4 bilhões de indivíduos sem acesso à água limpa ao abrirem as suas torneiras. O Brasil pode contribuir para amenizar esta situação, por meio de vários exemplos de experiências de sucesso na gestão de recursos hídricos.

 

Uma delas é o Programa Cultivando Água Boa, desenvolvido desde 2003 pela Itaipu Binacional na Bacia Hidrográfica do Paraná 3. Por meio da iniciativa, são promovidas ações como a recuperação de microbacias, proteção das matas ciliares e projetos de educação ambiental que envolvem escolas, organizações não-governamentais (ONGs), prefeituras e grupos da sociedade civil.

 

A replicação do programa já está acontecendo, conforme lembrou o diretor de Coordenação da Itaipu, Hélio Amaral: “A água é um bem universal que precisamos preservá-la, e o nosso Programa Cultivando Água Boa, que já recebeu tantos prêmios (em 2015 recebeu o prêmio como melhor programa de conservação hídrica dado pelas Nações Unidas), estamos tendo o prazer de iniciar um trabalho de expansão dele, com as águas subterrâneas e outras ações. A Bacia do Iguaçu está utilizando a metodologia do CAB e isso nos causa um imenso prazer”.


Público acompanhou apresentação de experiências regionais bem-sucedidas de gestão de recursos hídricos.

 

Outro exemplo para o mundo vem de Londrina (PR). Lá a estudante Sophia de Aquino Ilário do Colégio Londrinense desenvolve um projeto de biomonitoramento da qualidade da água a partir de plantas aquáticas. A pesquisa, que a estudante de 15 anos começou aos onze como um simples trabalho para uma feira de ciências, já rendeu várias premiações.

 

“Eu comecei a fazer esse projeto por causa de um lago que tem em Londrina, que fica no centro da cidade, e sofre muito com a poluição. Então a gente pensou em um aspecto para melhorar a qualidade e biomonitorar o ambiente. Então começamos a pesquisar sobre o que eram esses biomonitores, se tinham em nossa cidade, e o que faziam. E depois a gente começou a montar outros aspectos para ver o que podíamos fazer com isso e como a gente poderia utilizar esses biomonitores. Aí começamos a ver que além de monitorar a qualidade da água, conseguiríamos fazer outros testes para aprofundar mais nos estudos.”

 

 

Acompanhada da professora e orientadora do projeto, Alana Séleri, Sophia foi finalista de duas edições da FIciencias, a Feira de Inovação das Ciências e Engenharias, e ainda este ano garantiu lugar na 9ª ExpoCiencias Latino Americana ESI-AMLAT, que será promovida em Antofagasta, no Chile.