Atlas de Energia Solar do Paraná será lançado em dezembro

Os valores de irradiação e de produtividade energética solar do Paraná estarão disponíveis para investidores e a população em geral a partir de dezembro, quando será lançado o primeiro Atlas de Energia Solar do Estado. O documento aponta, por exemplo, que Cafeara, localizada no Norte paranaense e com quase 2.500 habitantes, é o município que possui o maior potencial de geração de energia elétrica fotovoltaica. 

 

Esse primeiro levantamento sobre o potencial de energia solar de cada um dos 399 municípios do Estado começou a ser feito em 2015, por uma parceria entre a Itaipu Binacional, o Parque Tecnológico Itaipu (PTI), por meio do Centro Internacional de Hidroinformática (CIH), a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). 

 


Dados foram validados usando informações da Rede SONDA. Foto: Kiko Sierich.

 

O engenheiro ambiental do PTI, Alisson Rodrigues Alves, explica que, para elaborar o Atlas, foram utilizadas informações de um modelo do INPE, que, a partir de dados ambientais e de satélites, faz uma estimativa de quanta energia solar chega na Terra. Esses dados foram validados utilizando informações de estações da Rede SONDA, que possuem alto rendimento e fazem a captação de todos os componentes da irradiação.

 

“A partir disso, conseguimos fazer uma estimativa para essa parametrização, levando em consideração  vários fatores que atrapalham na incidência, como, por exemplo, cobertura de nuvem, quantidade de água, poeira e aerossois”, afirma Alisson. De acordo com ele, além da validação a campo, também foram feitas avaliações por mesorregiões. O levantamento apontou que o Norte Central e o Noroeste do Paraná são as regiões que possuem maior quantitativo de produtividade, que é a energia solar transformada por meio de uma placa solar fotovoltaica conectada à rede e convertida em energia elétrica. 

 

Os dados mostram ainda que o Estado possui um valor de produtividade superior ao de 27 países da Europa, por exemplo. “O Paraná é muito superior à Alemanha em potencial de energia e a Alemanha é um dos países que mais utiliza energia fotovoltaica. Então, temos um grande potencial”, afirma o engenheiro ambiental do PTI. 

“Somos um dos poucos estados brasileiros que tem um levantamento específico sobre a intensidade da energia solar no Estado”, comenta o diretor superintendente do PTI, Ramiro Wahrhaftig. Segundo ele, o Atlas vai permitir uma maior disseminação na geração e distribuição dessa energia no Paraná. 

 

A partir de dezembro, quando será lançado o geoportal, esses dados estarão disponíveis em ambiente web e poderão ser acessados por qualquer cidadão, tanto em formato pdf quanto em modo interativo onde será possível navegar pelos mapas. O material também terá uma versão impressa. Essas informações poderão ser utilizadas para pesquisa e elaboração de políticas públicas de incentivo à ampliação do uso dessa fonte de energia renovável no Paraná. 

 

Energias renováveis 

 

Com uma área de 199.880 km² e uma população de 10.444.526 habitantes, distribuída em 399 municípios, o Paraná teve em 2013 um consumo de 27 milhões de megawatts-hora (MWh). Quase 93% de toda a eletricidade consumida em território paranaense é proveniente de hidrelétricas, mas há a necessidade de se diversificar a matriz com outras fontes de energia limpa e renovável. E, apesar do grande potencial de geração de energia elétrica fotovoltaica apresentado pelo Estado, o número desses equipamentos instalados em território paranaense é muito pequeno.

 

O diretor superintendente do PTI afirma que as energias renováveis são a grande prioridade da instituição. “Nós temos a intenção de transformar a região Oeste do Paraná em um grande polo internacional da cadeia produtiva das energias renováveis”, destaca Wahrhaftig.

 

Nesse sentido, o PTI já trabalha com ações relacionadas ao biogás e à energia solar e tem como intenção, conforme o diretor, de incluir outras formas. 

 

 

O CIH é um centro binacional de categoria 2 da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) é uma iniciativa da Itaipu Binacional e do PTI, que cria e aplica soluções que aprimoram e auxiliam a gestão territorial, com foco na preservação de recursos hídricos e desenvolvimento sustentável. Por isso, o incentivo ao uso de energias renováveis é um dos temas prioritários do Centro.

 

Além do Atlas de Energia Solar do Paraná, estão em desenvolvimento outros levantamentos sobre potenciais de  energias alternativas no Estado, como o de biomassa florestal na Bacia do Paraná; biomassa residual animal nos municípios que compõem a Bacia do Paraná 3; e o de energia eólica.